tu refletes minhas rugas,
os meus cabelos brancos,
os meus olhos míopes e cansados.
Espelho amigo verdadeiro,
mestre do realismo exato e minuncioso,
obrigado, obrigado.
Mas se fosse mágico,
penetrarias até ao fundo desse homem triste,
descobririas o menino que sustenta o homem,
o menino que não quer morrer,
que não morrera senão comigo,
o menino que todos os anos na Véspera de natal
pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Mario de Andrade
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